"Não prevemos regresso". Câmara espera já não ter trotinetas em Lisboa em janeiro de 2027

"Não prevemos regresso". Câmara espera já não ter trotinetas em Lisboa em janeiro de 2027

A suspensão das trotinetas partilhadas em Lisboa é uma medida definitiva, esclareceu a autarquia à RTP Antena 1. O vice-presidente da câmara não teme que a decisão seja contestada pelos operadores, apesar do esforço feito em 2023 para regular a presença destes veículos na cidade.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
João Chaves Marques - RTP

É uma decisão definitiva: a Câmara Municipal de Lisboa espera que não haja trotinetas partilhadas nas ruas da cidade em janeiro de 2027. A autarquia decidiu suspender estes equipamentos, num processo que começa numa reunião de câmara da próxima semana.

Gonçalo Reis, vice-presidente da autarquia, adianta à RTP Antena 1 que esta suspensão não se trata de uma medida provisória. "É uma suspensão em que não prevemos o regresso das trotinetas", afirma. A proposta vai ser levada a uma reunião de câmara extraordinária no dia 21 de outubro, em que será apresentada uma "resolução unilateral por razões de interesse público" dos acordos de colaboração com os operadores das trotinetas.

Com o objetivo de proibir a circulação e estacionamento destes veículos, os operadores serão obrigados a remover as trotinetas num prazo de 60 dias após a notificação formal. "Contamos que até ao final de janeiro já não haja trotinetas em Lisboa", detalha Gonçalo Reis.

Apesar de em 2023, já no mandato de Carlos Moedas, ter sido assinado um acordo para regular as trotinetas em Lisboa - questões como a redução da velocidade ou a definição de locais de estacionamento -, a Câmara de Lisboa dá agora o passo formal da sua extinção. O vice-presidente Gonçalo Reis diz não temer a contestação dos operadores, revelando que nesta sexta-feira, de manhã, vai comunicar a decisão aos operadores. 

"Estamos interessados em trabalhar com estes operadores, não no terreno das trotinetas, mas em outros terrenos da mobilidade suave, nomeadamente das bicicletas", sublinha Gonçalo Reis, considerando que as bicicletas  garantem segurança e respeito do espaço público.
 

Os acidentes com trotinetas são umas das razões apresentadas para esta suspensão, juntamente com a desordem do estacionamento. A Câmara de Lisboa segue a decisão de outras cidades europeias, como Paris, Madrid e Bruxelas. O mesmo foi aprovado em Portugal nos últimos meses, em cidades como Vila Nova de Gaia, Braga e Espinho.

Os operadores Bolt, Bird e Lime já se manifestaram em conjunto no passado contra as restrições que estavam a surgir no país. "Estamos disponíveis para trabalhar com os municípios", garantiam. Em agosto, em declarações à RTP Antena 1, o diretor de micromobilidade da Bolt, Frederico Venâncio, sublinhava o caso de Lisboa em que o negócio "deixou de funcionar da mesma forma, mas mais uma vez as operadoras adaptaram-se". 

O anúncio do fim das trotinetas em Lisboa foi feito pelo presidente da autarquia, Carlos Moedas, na noite de 15 de outubro. No seu espaço de opinião no canal Now, falou de uma "guerra que nunca vai acabar" sobre este tema e de um "problema gravíssimo de segurança e de espaço público", deixando o apelo ao PS para viabilizar a medida - apesar de ter maioria na câmara. 

A decisão antecipa o referendo que o Automóvel Clube de Portugal (ACP) pretende realizar em Lisboa para questionar o fim das trotinetas na cidade - o avanço da iniciativa passa agora pela Assembleia Municipal de Lisboa, depois de terem sido reunidas as assinaturas necessárias. Sobre isto, Gonçalo Reis diz apenas à RTP Antena 1 que "em paralelo" à hipótese de referendo "a câmara municipal fez a sua reflexão", considerando "perfeitamente aceitável esta iniciativa" da ACP.
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